A quadra chuvosa é um dos períodos do ano mais
esperados pelos cearenses. Junto a ela vem um sentimento de esperança,
de não haver mais dificuldades com a falta d'água, de mais rendimentos
com as colheitas no semiárido e, para os consumidores, preços menores. O
que os números mostram, no entanto, é que cerca de 54% das frutas,
hortaliças e legumes ficaram mais caros nesta semana em relação à quarta
semana de fevereiro, de acordo com monitoramento da Central Estadual de
Abastecimento (Ceasa). Dos 42 produtos acompanhados pela Ceasa, 23 apresentaram elevações de
preços no período mencionado, enquanto apenas 12 ficaram mais baratos.
Os sete restantes não variaram. O quilo do maracujá no atacado chegou a
ficar 114,29% mais caro, sendo comercializado a R$ 6,00 esta semana
contra R$ 2,80 de fevereiro. Outros itens que também sofreram aumento de
preços foram o pimentão (de R$ 3,20 para R$ 5,40), tomate cajá (de R$
3,20 para R$ 4,40), graviola (de R$ 6,00 para R$ 8,00) e o melão (de R$
1,80 para R$ 2,40).
Análise O analista de mercado da Ceasa, Odálio Girão, reconhece que, de forma
geral, há mais produtos que encarecem do que os que ficam mais baratos.
“Principalmente algumas frutas e hortaliças estão sendo bastante
prejudicadas. Tem muitas colheitas que não são adaptadas para muita
água. A região da Ibiapaba, principalmente, está sofrendo muito”,
afirma. Ele acrescenta que as chuvas são boas para acontecer no momento
de preparação do plantio. Recebendo muita chuva após plantados, os
produtos ficam fragilizados e apodrecem mais rápido. A batata-inglesa, um dos itens de destaque em volume de vendas,
também preocupa, segundo Girão. “Ela é advinda principalmente da região
Sudeste. Terminaram as colheitas de Minas Gerais e da Bahia, mas não
tiveram resultado satisfatório. Então, a batata-inglesa está chegando
aqui com preço bastante elástico”, explica o analista de mercado. O item
ficou 21,74% mais caro, com o quilo custando R$ 5,60 contra R$ 4,60 de
fevereiro.
Mais baratos No sentido contrário, há também alguns itens mais acessíveis que
estão valendo a pena. É o caso do milho verde, que está 28,57% mais
barato, sendo vendido a R$ 0,50 a unidade. A alface crespa (R$ 1,50 o
pé), o feijão verde (R$ 6,00 o quilo), a abóbora leite (R$ 2,30) e mamão
Hawai (R$ 3,40) também tem apresentado boas reduções de valores de
vendas no atacado.
“Entre as frutas, o abacate, o limão e a acerola têm se beneficiado com
as chuvas e ficando mais em conta. O feijão verde também já começa a
ficar mais barato, assim como o quiabo e maxixe entre os legumes”,
destaca Girão.
Ele ainda ressalta que somente após o mês de maio é que deve haver uma
normalização dos preços, passado o período chuvoso e a colheita de novas
safras, como a da banana.
Supermercados A alta de preços já chegou também nos supermercados do Estado e tem
interferido no volume de vendas, segundo Nidovando Pinheiro,
vice-presidente da Associação Cearense de Supermercados (Acesu). “Com as
chuvas nas serras daqui e na Bahia também, de onde vem muitos produtos,
a qualidade tem sido muito afetada e os preços também”, afirma. Ele
acrescenta que os estabelecimentos tentam repassar para os consumidores
os valores que já vinham sendo praticados, “mas chega uma hora que não é
possível absorver todo o repasse dos fornecedores”.
Com as elevações, o consumo dos produtos que estão sendo prejudicados
tanto em termos de preços quanto em qualidade diminui com as adaptações
feitas pelos clientes na cesta de consumo. “A dona de casa, quando vê
um valor mais alto do que ela costuma comprar, já reduz a quantidade ou
busca outro item mais barato para substituir; vai fazendo trocas para
não pesar tanto no orçamento”, diz Nidovando. Ele ainda ressalta que
alguns produtos devem voltar aos preços normais com a trégua das chuvas.
Diferença de preços entre supermercados chega a 293,25% Confirmando a avaliação do vice-presidente da Associação Cearense de
Supermercados (Acesu), Nidovando Pinheiro, de que algumas frutas e
hortaliças estão ficando mais caras nos estabelecimentos varejistas,
pesquisa do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon
Fortaleza) constatou elevação de 7,18% no valor da cesta de produtos
básicos em março, totalizando R$454,44 contra R$424,01 observado em
fevereiro. Em janeiro, o valor havia ficado em R$439,23. Um dos pontos que mais salta aos olhos na pesquisa, no entanto, é a
discrepância dos valores de comercialização de um estabelecimento para
outro. O quilo do alho a granel chega a ter uma diferença de 293,25%,
sendo vendido de R$8,90 a R$35,00. O quilo do mamão também assusta, com
variação de 235,29%, sendo encontrado a R$1,19 (mais barato) a R$3,99
(mais caro).
Entre as menores variações de um supermercado para outro está a de
refrigerante de dois litros, cujos preços diferem apenas 11,13%, vendido
em um intervalo de R$4,49 a R$4,99. Em média, os supermercados localizados na Regional IV - que abrange
bairros como Aeroporto, Benfica, Fátima, Itaperi, Montese, Parangaba,
Serrinha, entre outros - oferecem preços mais acessíveis. A cesta de
compra adotada pelo Procon Fortaleza pode ser comprada, em média, a
R$393,61. No sentido contrário, a Regional do Centro possui os maiores
valores da Capital, com o conjunto de itens alcançando o valor de
R$519,09.
FONTE DN
Com quadra chuvosa, preços dos alimentos sobem até 114% no Estado
Reviewed by Alto Santo é Notícia
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7:55 AM
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